Ademicon: CRM para gestão de rede e expansão
Projetei o Órbita, CRM que transforma dados dispersos da rede Ademicon em memória institucional, alertas e decisões operacionais.
- Cliente
- Ademicon
- Ano
- 2026
- Categorias
- UI / Product Design
O Desafio: Transformar dados dispersos em memória institucional
A Ademicon opera uma rede nacional de Unidades, Pontos de Venda e Consultores. A mesma pessoa pode atuar por mais de um CNPJ, ter diversas matrículas e estar vinculada a unidades diferentes. Antes do Órbita, recuperar essa trajetória exigia cruzar planilhas, conversas de WhatsApp, e-mails e o conhecimento informal de gestores.
O problema não era criar mais uma interface de cadastro. Era impedir que conflitos, acordos, penalidades, visitas e decisões relevantes desaparecessem a cada troca de gestor. Projetei o produto para converter essa memória dispersa em registros estruturados, consultáveis e persistentes, com contexto, autoria e data.
Também havia uma limitação operacional: o backoffice costumava descobrir riscos quando uma reclamação chegava ou uma auditoria encontrava uma inconsistência. A experiência precisava ajudar a equipe a reconhecer sinais antes que se transformassem em incidentes.
A Descoberta: O Discovery precisava virar um sistema navegável
Recebi o Discovery conduzido pela Leany Venture, com entrevistas em profundidade e mapeamento da estrutura tecnológica da operação. Meu trabalho começou na passagem desse material para uma arquitetura de produto: priorizei o que era necessário para um MVP e traduzi requisitos dispersos em jornadas, entidades, estados e critérios de interação.
O principal recorte foi tratar o CPF como entidade central. Em vez de fragmentar uma pessoa por matrícula, o Órbita consolida seus vínculos, CNPJs, Pontos de Venda e relações societárias em uma visão única. Essa decisão sustenta a leitura de Grupo Econômico e reduz o cruzamento manual de informações que travava a análise de risco e de expansão.
No dashboard, a informação foi organizada em três camadas: resumo executivo em linguagem natural, indicadores prioritários e uma central de alertas conectada ao feed de ocorrências. Cada KPI leva à lista correspondente para evitar uma jornada de investigação separada do ponto de decisão.
A Solução: Nove módulos para acompanhar a rede como um sistema
Estruturei o Órbita como um CRM de gestão de rede e expansão, não como sistema transacional. A plataforma não emite cotas, não processa pagamentos e não altera o legado. Ela cria uma camada analítica para entender a operação, registrar decisões e orientar ações.
- Dashboard: indicadores, alertas críticos, feed de ocorrências e visão executiva da rede.
- Unidades, PVs e Consultores: estruturas hierárquicas com dados cadastrais, vínculos, histórico e indicadores.
- Prévias: esteira de credenciamento em Kanban, com SLA, responsável e sinalização de blacklist.
- Ocorrências e Visitas: logbook de relacionamento, anotações privadas, agenda de campo e formulários de acompanhamento.
- Relatórios e Configurações: consultas parametrizadas, alertas por regra de negócio e matriz de acesso.
O mapa estratégico e o mapa de vínculos tornam visível a escala da rede e suas relações. A camada geográfica ajuda a diretoria a comparar o comportamento por região e unidade de negócio. A camada de vínculos mostra como pessoas, empresas e pontos de venda se relacionam a partir do CPF, do CNPJ ou da loja.
Para reduzir a carga de aprendizado, projetei a página de PV com a mesma estrutura de uma Unidade. A diferença entre elas é hierárquica, não de navegação. Quando a pessoa usuária aprende uma tela, transfere esse aprendizado para as demais entidades da rede.
O Ciclo de Validação: Design Agêntico com supervisão humana
Para transformar o Discovery em MVP em cinco dias, desenvolvi e apliquei um harness de Design Agêntico. O método organizou uma cadeia de agentes com papéis delimitados, em vez de depender de instruções isoladas e contexto descartável.
- Interpretar requisitos: o agente de análise extraiu requisitos funcionais do material de Discovery.
- Definir o escopo: o agente de produto priorizou funcionalidades e delimitou o MVP.
- Projetar a arquitetura: transformei requisitos priorizados em jornadas, módulos, páginas e componentes.
- Validar coerência: uma camada de UX/UI verificou interação, consistência e aderência ao fluxo proposto.
- Registrar decisões: os artefatos e as decisões foram mantidos em JSON, Markdown,
memory.mdeclaude.md.
Eu supervisionava cada passagem, revisava os outputs e corrigia desvios antes da implementação. JSON permitiu consumo programático pelo Claude Code. Markdown preservou a leitura humana, a revisão e a transferência de contexto. O PRD tornou-se o contrato que ordenava as etapas de construção, do design system às integrações e ao polimento.
O resultado foi uma implementação em Vite, React, TypeScript e Tailwind, guiada por design system, PRD, memória de projeto e revisões contínuas. O harness não substituiu a decisão de design: tornou as decisões rastreáveis e repetíveis durante um ciclo acelerado.
Impacto e Estratégia de Design
O MVP foi produzido em cinco dias, aprovado pelo cliente e associado ao contrato fechado para o desenvolvimento pelo time da empresa. Em 2026, a solução materializada pelo Órbita foi a vencedora da chamada de Inovação Aberta Innova Ademicon, apresentada pela Leany Lean Ventures. A Prefeitura de Curitiba registra que a empresa passou por análise técnica, prova de conceito e apresentação presencial para banca avaliadora, recebendo proposta inicial de contratação de R$ 100 mil.
Leia a cobertura oficial da Prefeitura de Curitiba sobre o resultado do Innova Ademicon.
A estratégia central foi deslocar a operação de uma postura reativa para uma postura preventiva. Alertas podem destacar, por exemplo, consultores sem venda por quatro meses, unidades sem visita há mais de 180 dias e prévias com SLA vencido. Esses sinais não substituem o julgamento do gestor, mas reduzem o tempo entre perceber um risco e agir sobre ele.
O principal aprendizado foi que o problema mais difícil não era técnico. Era organizacional. O Órbita usa produto, arquitetura de informação e memória de projeto para preservar o contexto de uma rede que muda continuamente, sem fazer cada novo gestor recomeçar do zero.